9.27.2013

Um senhor e seus amigos

Eu os vejo sempre na mesma pracinha, sua morada. Um senhor, cabelos grisalhos e dois cachorros "vira-latas". O carinho entre eles é nítido e fico pensando como o senhor se comunica com eles, a não ser pelo amor. Da última vez, meu coração ficou apertado com a cena que vi. Um dos cachorros, o pretinho, machucou a pata, provavelmente em algum atropelamento. Estava mancando. O senhor o incentivava a andar e o cachorro, para agradar ao amigo, esforçava-se ao máximo, mancando e andando. Deram a volta na praça. Então, o senhor se sentou e fixou o olhar no cachorrinho que se deitou e recostou a cabeça sobre as patas dianteiras. Ambos estavam tristes. Imaginei o que se passaria naqueles corações. O outro cachorro estava farejando alguma comida pelo chão da praça. De repente, quando voltei a olhar para o senhor, ele estava a conversar com o cachorro machucado. Ele falava como quem falava com uma criança, apontando o dedo, dando uma lição. O cachorro, cabisbaixo, ficava olhando para o senhor pelo canto do olho. Como me comoveu aquilo. Não pude ajudá-lo. Mas, imagino a dor daquele velho homem ainda jovem ao ver seu melhor amigo sofrendo e não poder fazer nada. Não sei se é pecado, mas fiz uma oração pelo cachorro. Pedi a Deus que o curasse daquele machucado. Para que aquele senhor não ficasse mais só do que já é. Sei que Deus me ouviu. Que todos possamos perceber a vida nos recantos por onde passamos. Pois, a vida mesma passa rápido demais e percebê-la nesses "recantos" é como acrescentar mais tempo a ela.

Fernanda P. (Fer Perl)

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