3.18.2017

Nada vale a pena se não for verdade

Nem todo sorriso é sincero
Nem todo abraço é de paz
Nem todo olhar quer enxergar
Nem todo passo vai a algum lugar
Nem toda palavra sai pensada
Nem toda lágrima significa tristeza
Nem toda falta é ruim ou toda sobra é boa
Nem toda ironia é sarcasmo
Nem todo silêncio é paz
Nem todo julgamento é injusto ou toda justiça é justa
Nem todo jovem é viril
Nem todo idoso é maduro
Nem toda criança é feliz
Nem todo mundo sente o Sol
Nem todo pé pisa o chão
Nem toda mão ajuda
Nem todo ser que respira vive
Mas, quem vive aprende que nada vale a pena
Se não for verdade.

Fer Perl©

8.31.2016

Íons

São pequenas coisas que controlam a vida, coisas "invisíveis aos olhos"
As grandes coisas dependem das pequenas
Aquilo que é maior que a vida depende do alimento que recebe dentro de cada um
Mas, o que tem o tamanho da vida depende simplesmente do tempo
E vive e trabalha e cansa e renova e segue
A pequenos passos, ou pulsos
A grandes saltos, ou abstenções.
Fer Perl©

8.29.2016

Sobre I am Sam (Uma Lição de Amor)

Quando as limitações impostas por uma deficiência mental não impedem alguém de lutar por seu amor.



Há muitas teorias sobre a Inteligência, sobre o funcionamento do cérebro, sobre o que leva uma pessoa a ser considerada “normal”. Falar de comportamento levanta muitas questões étnicas, morais, políticas, etc. Há moldes que a sociedade impõe e que vão se modificando, à medida que a História e suas consequências vão acontecendo, também, aos nossos olhos. O próprio cérebro é, ainda, em muitos pontos, um mistério para a Ciência. Estereótipos e mitos caem por terra, todos os dias. Como a ideia de que só usamos parte do nosso cérebro. Na realidade, usamos 100% dele. E cada parte desse órgão tão importante interage, na forma de uma rede muito complexa, com as outras partes. É por isso que, quando alguém sofre um acidente e seu cérebro é lesionado, alguns movimentos do corpo são perdidos, outros não, por exemplo. Mas, uma coisa é sofrer uma lesão no cérebro.
Outra coisa é nascer com algum problema neurológico. Nesse caso, muitas vezes, o comprometimento mental, que vem do próprio desenvolvimento do ser no útero de sua mãe, é bem mais complexo. Note que falamos em cérebro, logo depois em mental(de mente). Existe essa dicotomia no meio científico, embora muitos não concordem com essa divisão. O cérebro seria a estrutura física, enquanto a mente, a estrutura cognitiva do indivíduo, um complemento do outro. Há até quem use a comparação de cérebro com hardware e mente com software, dos nossos familiares computadores.
No filme “Uma Lição de Vida”, o protagonista Sam Dawson, encenado por Sean Penn, é um adulto com comprometimento cognitivo. Não se deixa específico que tipo de comprometimento ele tem, porém, deixa-se perceber que ele possui idade mental muito aquém da sua idade cronológica, comportando-se, em várias situações como uma criança mesmo. Na trama, Sean Penn tem um relacionamento relâmpago com uma mulher, supostamente prostituta, que fica grávida e o abandona com sua filha(que se chamará Lucy, por conta da canção dos Beatles), nos braços, em uma parada de ônibus e, simplesmente, some. Sam, atordoado, consegue ir para casa. Uma vizinha, que sofre de síndrome do pânico e que não sai de seu apartamento, acaba o ajudando a cuidar da criança. Seus amigos, um pequeno grupo que representa sua família, todos com problemas mentais, também, o ajudam do seu jeito. O que o faz sentir-se capaz de seguir enfrentando aquele desafio é apenas o afeto que sente por sua filha. Ele se mistura a ela. Entende o que ela diz e sente. É para ela companheiro e amigo. Mas, tudo muda a partir do momento em que sua filha cresce e, já com sete anos, começa a aprender coisas que ele não conseguiu aprender.
Sam só sabe ler um livro, ou decorou, realmente, a história. E, todos os dias, ele o lê para sua filha. Quando ela aprende a ler, percebe que seu pai não sabe ler outra coisa. E toma ciência de que ele tem problemas cognitivos. Isso a faz não querer aprender mais nada. Mas, seu pai a convence. Sam, do seu jeito, estava vencendo a cada dia o desafio de criar sua filha. Até que a sociedade sentiu que era hora de intervir e, através de uma assistente social, tirou Lucy de seu convívio, entregando-a para adoção. Isso provocou em Sam um grande desespero. Ele procurou se superar no trabalho, aprendendo a usar a cafeteira, para ser promovido a fazer café e ter um salário melhor do que o que recebe por servir as mesas.
Ele foi morar em uma pequena casa próxima à que sua filha estava morando com seus pais adotivos. Quando ela descobriu, todas as noites fugia para ir dormir com seu pai. Ele a levava de volta a casa dos pais adotivos. E isso virou uma rotina. Em determinado momento do filme, a pequena Lucy revela ao seu pai que não queria ter outro pai diferente dele, pois nenhum pai ia ao parque brincar com seus filhos, como ele o fazia. Esse pensamento refletia o que Sam representava para ela. No final, os pais adotivos entenderam que Sam era capaz de criar sua filha e que ela não seria feliz ao lado deles, abdicando de sua guarda e da adoção. Depois de várias audiências no tribunal, com a ajuda voluntária de uma advogada, e tendo por testemunhas sua vizinha e seus amigos, ele consegue sua filha de volta.
Isso tudo nos leva a refletir sobre nossos verdadeiros limites. Sobre como uma motivação certa nos leva a superar nossas bordas. Que o nosso cérebro é nosso aliado, mas que ele trabalha em consonância com nosso coração, nossos afetos. Ambos nos fazem quem somos. Nossa atitudes, nossa razão, nossos pontos de vista, nosso olhar em relação ao mundo, ao outro, a nós mesmos, nosso comportamento, tudo parte de dentro para fora de nós.
Apesar de a Ciência ainda não ter respostas para tudo, ela já conseguiu compreender que existe algo além, que nossa afetividade, que nossa essência, que nossa alma(?) são o link que falta para o que está obscuro e o que está à nossa frente, à distância de uma mão. Se muitas respostas podem ser dadas através do funcionamento dos nossos hormônios, dos nossos neurônios com suas sinapses nervosas, das trocas feitas entre as nossas células e o meio onde se encontram. Também, muitas podem ser dadas através do que sentimos e almejamos para nós. Da consciência sagrada que existe em cada ser de que viver não é apenas respirar, ou alimentar-se, mas é sentir o amor e amar.
E o amor acontece através do olhar de respeito, da confiança e da aceitação dos limites por parte de todos e de si mesmo. Nós nos surpreendemos quando não nos usamos como modelos humanos pré-definidos em nossas comparações rotineiras. Pois, apesar de todos possuirmos um cérebro e uma mente que funcionam, aparentemente de forma igual em todos, cada ser é singular e tem sua própria história e valor.

Fer Perl©

Nosso instinto de sobrevivência

Até onde nos leva o nosso instinto de sobrevivência? Será ele nossa motivação inconsciente para seguirmos lutando contra as adversidades e desafios? O que controla esse instinto em nós? Dois documentários que me fizeram refletir sobre isso e chegar a algumas conclusões. 



No documentário “The Last Lions”(Os Últimos Leões), uma leoa que se vê sozinha com seus três filhotes, após a morte do seu companheiro, por conta de briga por território, saí em busca de um lugar para criar a prole. Esse filme retrata a verdadeira realidade dos leões em seu habitat natural, nos dias atuais. Com seus territórios sendo invadidos pela civilização humana, pouco ainda resta que sirva de morada para os felinos. Isso provoca uma luta por território mais acirrada do que acontecia há muito.
Sozinha, a leoa com seus três filhotes chegam a um rio, o qual precisam atravessar para chegar a um pedaço de terra do outro lado, ainda sem dono. um dos filhotes, o mais frágil, não conseguiu atravessar e foi pego pelos crocodilos. Atrás dela e sua família, está o bando de leoas, cujo macho líder havia conquistado o território que estava ficando para trás.
Os três conseguem atravessar o rio, enfestado de crocodilos, e chegam às margens do outro lado. Conseguem sobreviver um pouco. Eram muitos os perigos. Uma manada de búfalos é algo perigoso para uma leoa sozinha. Ela, atordoada, tinha de procurar alimento para os filhotes e para si e, ao mesmo tempo, protegê-los. Deixava-os sempre no mesmo lugar, escondidos, e ia a procura de comida. Do outro lado do rio, estavam as outras leoas querendo continuar a briga. E os búfalos correndo de um lado para outro. Foi numa dessas corridas que eles alcançaram os filhotes e passaram por cima da filhote fêmea. A leoa, ao retornar, da caça sem sucesso não os encontrou e saiu em busca deles. Achou a filhote machucada. Tentou carregá-la de toda forma, não conseguiu. Então, a abandonou. Foi uma das cenas mais chocantes que vi em documentários. A filhote, sem entender, nem conseguir andar(havia tido suas patas traseiras esmagadas pela passagem dos búfalos), ficava como que miando desesperada enquanto via sua mãe se afastar. O olhar da leoa, era um olhar sem brilho. Em pouco tempo havia perdido seu macho, seus filhos, seu território, tudo.
Mais à frente conseguiu encontrar o outro filhote a salvo. Cuidou dele. Aprendeu a entrar na água e lutar com os búfalos dentro dela, pois lá, eles eram mais vulneráveis. Isso fez as outras leoas a observarem atentas de longe. Quando essas conseguiram atravessar o rio, ainda tentaram brigar com ela. Mas, essa as afastou. No final, elas se juntaram à nova líder e respeitaram o seu filhote. Como uma equipe, entenderam que, se lutassem juntas, conseguiriam alimento para todas. A leoa, agora líder, havia se superado e tinha seu próprio território.
Em outro documentário, “Alive”(Vivos), baseado no livro “The Story of the Andes Suvirvors”(A história dos sobreviventes dos Andes). Narra a história de um time uruguaio de rugbi(esporte) que decide fazer uma viagem a Santiago, no Chile. Isso aconteceu na década de 90. O avião em que estavam viajando, caiu nos Andes chilenos. Poucos sobreviveram. Depois de 10 dias passando fome, decidiram praticar a antropofagia, com os corpos dos que haviam morrido.
Um dos sobreviventes, Nando Parrado, perdeu sua mãe e sua irmã nesse voo. A motivação de reencontrar seu pai e sua outra irmã, o fez se tornar um líder. Ele convenceu dois amigos que foram com ele tentar atravessar os Andes a pé. Levaram água, que conseguiam juntar da neve derretida e pedaços de carne. Um deles voltou. Ele e mais um seguiram viagem. Nunca haviam escalado montanhas, muito menos com neve. Mas, conseguiram chegar próximos à margem de um rio, no qual um andarilho a cavalo os avistou, do outro lado. Conseguiu se comunicar com eles jogando-lhes uma pedra amarrada ao um barbante com pedaço de papel e lápis, pois o barulho do vento e da correnteza não permitia que entendessem os gritos uns dos outros. Foi assim que conseguiram sobreviver e voltaram para resgatar os amigos nos restos do avião.
Esses dois documentários me fizeram refletir sobre o instinto de sobrevivência animal. De um lado, uma leoa que abandona seu filhote, pois não sabia o que fazer e não podia fazer mais nada, tinha de lutar por sua sobrevivência. De outro, um grupo de humanos que precisa comer carne humana, em meio ao desespero da fome. São atos extremos de sobrevivência. Mas, vistos bem de perto, com olhar desprovido de julgamento, são bem compreensíveis. Pois, a partir do que somos, nosso instinto de sobrevivência é um dos mais fortes. Por mais que se tenha dificuldades. Por mais que o mundo não seja um lugar tão fácil. Por mais que haja tantos problemas e egoísmo, há a necessidade sagrada de sobreviver. Em meio a uma situação de extremo perigo, o ser humano é capaz até de matar outro ser, em legítima defesa!
Será que esse instinto é o que coordena todas as nossas ações, no dia a dia: trabalhar, estudar, cuidar-se, ir ao médico, tomar banho, alimentar-se, etc? Talvez, a empatia nos ajude a equilibrar esse jogo. A olhar para o outro e tentar colocar-se em seu lugar, sentir, ou ao menos entender o que sente, nós nos impomos um limite. Entender que somos todos iguais, ao menos por dentro. Cada um com seu próprio valor e direito de respirar e viver. Na verdade, apesar do nosso instinto, não podemos, ou devemos, fazer qualquer coisa por sobrevivência se isso for prejudicar alguém deliberadamente. Precisamos todos sobreviver sim, mas com a consciência de que cada um precisa do seu espaço, da sua comida, do seu lazer, do seu estudo, de sua liberdade de expressão e fé. Aquele velho ditado que diz "sua liberdade termina quando começa a do outro". Aliás, nós, seres humanos racionais, muito mais do que apenas sobreviver, precisamos encontrar meios para que todos vivam plenamente. Pois, a vida é muito preciosa, senão o instinto de sobrevivência não existiria. Não acha?

Fer Perl©

Apoptwsiz: tudo tem mais valor quando está em “falta”

Nós também temos nossas folhas que mudam no Outono. Você percebe isso?


Esse é um termo de origem grega. Significa queda das folhas das árvores no Outono. Fala daquele momento em que as folhas mudam de cor e caem da árvore. Sinal de renovação. Sinal de recomeço. Sinal de transformação programada pela Natureza da planta. Já pensou se nós fôssemos assim, também? Se soubéssemos programar as podas das nossas folhas para determinado momento? Se pudéssemos perceber as mudanças de cor em nós, nos outros, nas situações? Talvez, não tenhamos o poder de programar todas as coisas, mas, assim como as árvores, nós também perdemos nossas folhas. O complicado é que muitas vezes não nos damos conta disso.
Pois é, a vida anda tão corrida que os sinais mais simples, muitas vezes, passam despercebidos a nós. Você já parou para perceber que o olhar do seu filho, ou dos seus pais, está distante? E o sorriso do seu companheiro/companheira está meio sem brilho? Já percebeu, antes de tudo, o seu próprio aspecto no espelho? Quanto vale toda nossa correria? O preço do brilho do sorriso e do olhar de quem precisa apenas de um abraço ou de alguns minutos para se abrir? Muitas desilusões são interrompidas com apenas um pouco de diálogo. Muitas situações difíceis, algumas sem volta, também. Perder o contato com quem divide o mesmo teto que você é distanciar-se demais das transformações pelas quais cada um passa.
Quantos relacionamentos deixam marcas profundas, em nós, por vácuos feitos de silêncios e solidões? Quando a porta de um quarto separa duas vidas que deveriam ser, ao menos na teoria, unidas, com pontos importantes de interseção. Quando menos damos conta, o tempo passou. E não acompanhamos o crescimento, a mudança da cor do cabelo do outro, a formação da personalidade, a mudança do
jeito de pensar.
“Mas, eu estou lutando por todos”, talvez você esteja pensando. De que forma se luta por alguém? É justo que se queira um tempo para si, depois de um dia de trabalho estressante. Mas, respirar fundo e, mesmo no cansaço desumano, parar e ouvir é uma atitude tão importante quanto ter horas de diálogo com a pessoa. Pois, a própria pessoa percebe o seu esforço. Tudo tem mais valor quando está em “falta”. Como quando uma comunidade passa por um período de temperaturas abruptas e a colheita não é a esperada. O pouco que se colhe passa a valer muito mais do que valeria em tempos de abundância. Assim também é o amor. E o tempo dedicado a alguém que se ama depende, exclusivamente, da qualidade não da quantidade.
Em tempos modernos, o fácil é cada um ter seu celular, seu grupo no Whatsapp, sua conta no Face, sua TV no quarto, enfim. Como se, naturalmente, houvesse uma força que nos dispersasse uns dos outros nos mantendo em nossos próprios mundinhos. E, adentrar no mundinho alheio passa a ser uma afronta. No entanto, a nossa base fica abalada, pois as pessoas nas quais deveríamos encontrar apoio nas horas mais difíceis estão Offline, Ausentes, ou apenas com a porta do quarto fechada e um aviso de “Não incomode” pendurada nela.
O diálogo olho no olho, as expressões faciais, o jeito de agir e de falar, as palavras estremecidas, as mãos, isso só se consegue de perto. Esses são detalhes que se deveriam conhecer uns dos outros, ao menos daqueles que dividem o mesmo teto, o mesmo afeto, na maioria das vezes, o mesmo sangue que nós. Muitas vezes, há pessoas em um processo de “apoptwsiz” da alma e nós não conseguimos nem perceber que a cor de suas folhas já não é a mesma. Amar é prestar atenção no que o outro tem a falar. Nessa vida única, antes que o Outono acabe.
Fer Perl©

Nós e aquele vírus intelectual que nos perturba

Só nos magoa quem está dentro de nós. Talvez, em uma tentativa de sair. Talvez, por projetarmos na pessoa expectativas que não são reais. Criamos um mito ou, simplesmente, queremos sempre ter razão.



A vida é assim, a gente magoa quem a gente ama. A gente é magoado por quem a gente ama. Mas, como disse outra vez: “só nos magoa quem está dentro de nós”. Se, de alguma forma, alguém tomou espaço em seu coração, os sinais dessa pessoa passam a ter mais intensidade na sua percepção. Ou seja, uma palavra vale mais. Uma bronca pesa mais. Um sorriso tem mais significado. Por que você permitiu que essa pessoa passasse a fazer parte de si. Umas menos, outras mais.
Alguém falou, um dia, que quando a gente grita, em uma discussão, é por que o outro está afastado do nosso coração e não de nós fisicamente.
E existem tantas formas de nos magoarmos, não é mesmo? Basta um olhar reprovador, uma palavra dura, uma falta de atenção. Mas, quando nos colocamos na posição contrária, quando olhamos de fora, percebemos que, muitas vezes, nós nos magoamos por nada. É que aquele amigo, ou amiga, falou a verdade e isso você não queria ouvir. E, talvez, a dor seja por que ele/ela, tenha razão. Ou quando esperamos pela resposta de alguém que silencia, parece uma afronta. Começamos a conversar conosco mesmos na tentativa de entender.
E tudo vai virando uma bola de neve.
Muitas vezes, a outra pessoa nem nota o que está acontecendo e, quando percebe, você já jogou a toalha. Quantas amizades acabam assim? Quantos relacionamentos bons? Falta de diálogo? Às vezes, sim. Mas, às vezes, é aquele vírus intelectual a quem chamamos de orgulho o causador da dor. Nem é a ausência da pessoa, ou o que ela falou, mas o nosso orgulho ferido que passa para nós(como fazem os próprios vírus) o seu material genético e sobrevive através das nossas forças, minando-as.
Se nos magoam, cabe a nós decidir o que fazer com o que fica. Não dá para falar que é fácil perdoar e continuar do ponto de onde se parou, como se nada tivesse acontecido. Afinal, como em uma virose, existem os sintomas, a produção de anticorpos, todo um processo. Nós mudamos à medida das nossas experiências. Ficamos mais imunes. Mas, dependendo do significado da pessoa na sua vida, aos poucos, com paciência e insistência calma, ela consegue ir voltando ao seu lugar dentro de nós, não é?
Do outro lado, quando somos nós quem causamos a dor, cabe a nós a paciência da espera do tempo do outro e a busca por mostrar nosso arrependimento sincero. Por que ninguém está livre de cometer erros, de magoar a quem se ama. Ainda mais a quem se ama! E como dói, também, em nós quando magoamos pessoas assim. É, exatamente, o pedacinho do nosso ser que agora é habitado por ela.
Remexer-se dentro do coração de alguém, pode sim causar dores muito fortes. Voltar à conformação de antes, talvez, seja quase impossível. Daí, a palavra mágica “perdão”. Mas, que de mágica não tem nada. Funciona como uma vacina, para as próximas investidas do vírus do orgulho que, como tantos, sofre mutações.
Não acontece de repente. É um processo. Porém, esse processo só se inicia a partir do momento que um(a) aperta o botão do querer. Querer perdoar é o primeiro passo. Aliás, querer é o primeiro passo de qualquer motivação. E que, se não houver motivação nenhuma, o próprio querer ficar em paz seja suficiente para desengatar esse processo, que pode ser longo, mas pode acontecer em pouco tempo. Repouso, muito líquido e vitamina, quer dizer: sinceridade, coragem e equilíbrio na oração. Por que existe a questão do amor próprio, também. Mas, essa é outra reflexão.
Tem coisa que é você e suas certezas. Você e suas convicções. Você e seu mundo. Você e suas decisões. Você e Deus. Sem falsos arrependimentos. Sem autojulgamentos ou qualquer complexo de inferioridade(superioridade). Sem medo ou receio. Pois, ficar livre das amarras que nos seguram, nos permite voar. Principalmente, se elas são microscópicas, invisíveis mesmas aos olhos. E, levantar da cama disposto, tomar um banho morno e partir para a vida motivado, não tem nada melhor. Combata e voe. Todo mundo é capaz.

Fer Perl©

Tempo borracha e tempo trem


O tempo funciona como uma borracha gigante vindo atrás de nós, apagando os personagens principais da nossa história. Mas, ele também funciona como um trem. Aprender a entrar nele pode fazer a grande diferença.
  A lembrança do sorriso nada obtuso do meu avô e dos cabelos prateados da minha avó de olhos azuis lindos e brilhantes me fizeram fazer esta pequena e simples reflexão. Sobre o quanto na nossa história, de alguma forma, vão se "apagando" os personagens principais. Um a um, até chegar a nossa vez. Dei-me conta de que a casa dos meus avós permaneceu lá, eles não. Restaram as fotos, as imagens, as lembranças.
(Que descansem em paz, em Deus)
O fato é que vamos construindo nossa história e é o tempo que funciona como uma borracha gigante, vindo atrás de nós, bem devagar. O material, até certo ponto, permanece o mesmo. Como aquelas estações de trem antigas que já presenciaram tantas histórias de idas e vindas, de despedidas e reencontros. Tenho para mim que lugares assim são impregnados de sentimentos em suas paredes, teto e chão. Como na casa dos nossos avós. Quando o almoço em família significava uma explosão de afeto, um recorte eterno no tempo corrido de cada um.
Como lidar com a borracha do tempo? Ninguém pode, ao certo, esquivar-se dela. Olhar para frente já é uma condição até mesmo anatômica do nosso corpo. Nossos olhos estão posicionados estrategicamente, para frente. Podemos até parar e olhar para trás, vez ou outra. Mas, se continuamos assim, acabamos tropeçando e caindo. Não é questão de não observar o caminho. De cumprimentar pessoas. Muito menos de ir esquecendo o que passou. Acontece que tudo muda aos nossos olhos, dentro e fora de nós. Basta um olhar mais demorado para perceber isso.
As brincadeiras de infância no meio da rua. Onde estarão todos aquelas crianças? Terão filhos e permitirão que eles brinquem também? Qual é a face da saudade? "São várias", você poderá me responder. Para mim, saudade tem cheiro. Ela tem forma, cor e provoca a sensação de tocar aquele recorte de tempo que ficou guardado como uma lembrança boa. Como a forma do chapéu do meu avô, sem o qual ele não saia de casa de forma alguma. Melancolia? Não. Consciência de que as coisas se modificam e, nem sempre, acompanhamos suas mudanças. Ficamos, muitas vezes, parados esperando que tudo volte ao que era antes. Mas, não é possível. O tempo contínuo, feito de fragmentos unidos de forma ininterrupta cuida para que a história siga em frente. E você não pode ficar parado, esperando que ele pare. Tem de entrar em acordo com ele.
A cada dia, os livros de História ficam mais grossos(com mais páginas). E, o que era futuro em filmes, agora antigos, já está ultrapassado no nosso presente. E sempre será assim. Um movimentar dinâmico de vida.
E "eu?", você poderá dizer. Bem, cada um tem seu lugar. Você contribui para que a História seja o que é hoje e o que ela será. Mesmo que não acredite que isso seja possível. Por que basta um mover das asas de uma borboleta para que aconteça um tufão do outro lado do mundo, o tão conhecido Efeito Borboleta. Como na Física de Newton :"Toda ação provoca uma reação de igual ou maior intensidade, mesma direção e em sentido contrário". Ou seja, decidimos e vivemos as consequências do que depende de nós.E assim, nessa dinâmica maravilhosa da vida, vamos escrevendo nossa história, única e singular. Olhando as fotografias que vão se apagando com o tempo. Participando delas. Tendo o que contar. Guardando memórias, cheiros e sentimentos. Sólidos indícios de uma existência que até parece ser efêmera, mas não é.Rubem Alves escreveu a seguinte frase: "Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será". Acho que ele descobriu um segredo importante da vida. Pois, a partir do momento em que percebemos que tempo não para, aprendemos a nos introduzir em seu trem e tomamos nosso lugar com ele. Não contra ele, mas o tornamos, de certa forma, nosso aliado.
Não falando de botox, cirurgias, etc. Isso são especificidades muito da superfície. Cuidar de dentro e de fora, da saúde do corpo, da mente e da alma. Viver cada instante como único, mesmo que isso pareça clichê.
Por que, quando se é criança, não se entende a dimensão disso tudo. Para nós, nossos avós sempre estarão lá a nos esperar nos domingos em família. Só que um dia, isso acaba. E começamos a perceber que fazemos parte de algo bem maior que aquela cozinha tão simples, mas tão inesquecivelmente concreta, com seus personagens eternos dentro da nossa história real de vida.

Fer Perl©

Sobre amizades e nós mesmos

Amigo acompanha nossas mudanças. Ele mesmo muda e temos de acompanhar suas mudanças, também. Há quem não consiga. Há quem viva a amizade por conveniência e só.



Não, não existem fórmulas as quais possamos utilizar para prever se uma amizade vai durar, ou o quanto ela irá durar. Vivemos em um processo de transformação constante. Há de se pensar que somos, realmente, uma eterna metamorfose. Por que vamos acumulando conceitos, fazendo referências, criando esquemas, associando soluções. Enfim, nossas experiências de vida vão nos transformando em quem somos exatamente agora. Muito disso depende de nós. Mas, muita coisa é involuntária.
Ter a sensibilidade, na medida certa, para detectar no outro esses malabarismos do caráter diante das situações(e saber lidar com isso) é o que faz de uma pessoa um amigo verdadeiro. Talvez, para isso, a convivência seja algo essencial. Apesar de algumas amizades se manterem à distância, cruzarem o tempo e o espaço intactas, essas podem ser consideradas puras exceções.
Quando se perde a convivência com alguém, deixa-se de acompanhar o nexo que a conduz na vida. Seus pensamentos que mudaram. As decisões erradas que a fizeram pagar pelas consequências. Os acertos que a fizeram ser uma pessoa mais confiante ou, em alguns casos, infelizmente, “convencida”. As dores que a levaram a limites dos quais só ela tem noção. Os momentos de solidão. Os momentos maravilhosos de descobertas. Os de contentamento e de dúvidas.
Ah, como são especias as pessoas que conseguem ultrapassar esses limites e continuam amando o amigo com todas as suas mudanças. Mas, há aqueles que exigem, mesmo que inconscientemente, que o outro volte a ser quem era. É como se o importante fosse a imagem que ele\ela representasse para si não quem ele\ela é realmente. E isso é impossível. Depois de transformados, alguns materiais não podem voltar a sua conformação inicial. Com a maturidade é assim. O ser humano, depois de amadurecer, não pode voltar à “inocência” incoerente, às vezes, infantil. A vida é assim.
Projetamos no outro nossas expectativas. Enquanto o outro responde a essas expectativas, nós o temos como amigos do peito? Se, de alguma forma, o outro deixa de responder, trava-se um conflito interior na pessoa que percebe isso. Ela tem de decidir se continuará amando o outro diferente, ou desistirá de sua amizade. Conveniência. Das cinzas de alguém que sobrevive a muitos tipos de conflito surge o novo eu desse mesmo alguém. Conseguir enxergá-lo com suas diferenças é um risco que só quem ama é capaz de correr.
Quanto à pessoa que mudou. Bem, como deve ser difícil ver voando pelo ar aqueles que antes eram seu alicerce por assim dizer. Amor. Essa é a palavra certa para resumir aquele sentimento de compaixão, acolhida, carinho e querer bem que se tem por alguém que significa ser amigo.
Desejar ao outro o seu Infinito Bem. Desejar sua felicidade e seu sucesso. Desejar que se descubra e vença suas limitações. Isso é amor em forma de amizade. Se você tem isso, cuide. Amizade verdadeira é coisa rara, hoje em dia.
Fer Perl©

E quem disse que a vida ja passou?


Não confundir jovem com novo. Jovem é questão interior, de decisão, de consciência. Novas são coisas que ficam velhas com o passar do tempo.
 Vivemos em uma balança, pesando tudo ao nosso redor e dentro de nós. Deixamos de ser espontâneos, quando deixamos que a opinião alheia(aquela lógica criada para se viver em sociedade) seja mais forte que nossa própria opinião. E vamos nos perdendo dentro dos detalhes dos pensamentos dos outros. Os nossos? Vão sendo deixados de lado, e nós, muitas vezes vamos deixando de ser nós mesmos, também.
É como se a sociedade tivesse criado uma faixa de tempo na qual fossem inseridos aqueles para os quais quase todos os produtos, sentimentos e sistemas existentes tivessem sido criados e pensados. Todos passamos por essa faixa de idade. Hoje, ela deve estar entre os 12 e 30 e poucos anos. Mas, eu me pergunto: e o restante da vida? E a maioria absoluta da humanidade? Fazer parte dessa faixa etária não quer dizer nada, no fundo, se ela não for bem vivida.
Vejo pessoas quebrando essa lógica criada, como aqueles senhores de cabelos grisalhos que fazem sua corrida todos os dias e são “sarados”. Vejo, também, jovens, muito jovens, parados em lanchonetes “fast food”, muitos já bem acima do peso recomendado para uma boa saúde. Vejo as chamadas senhoras, dos seus quarenta anos, inteligentes, independentes, criativas, apreciadoras das melhores coisas da vida. Vejo jovens garotas, que não gostam sequer de ler um bom livro e curtem passar o dia no cabeleireiro ou coisa assim, dando pouco ou nenhuma atenção à sua formação.Claro, exite um “abismo” entre as gerações, no sentido de uma possuir a maturidade que só o tempo consegue conceder. Mas, por outro lado, nada justifica o sentimento de “idolatria” ou “narcisismo” intelectual que mutos jovens parecem ter, apenas por não ter vivido tanto ainda(e desconfio, com tristeza, que é um sentimento comum a todos nós, quando estamos nessa faixa etária da vida). Ou o de desrespeito e desconfiança que muitos adultos têm em relação aos jovens.
Há muitos jovens que superam, em muito, muitos adultos, em sua capacidade intelectual e, sobretudo, esclarecimento político, cultural, etc. Esses conseguiram sobreviver às “regras” impostas pela própria sociedade. Uma imposição silenciosa, percebida através das propagandas e alguns programas nas TVs e, agora, até nos cinemas(e convenhamos, ninguém pensa mais em chegar na hora do filme, pois, há tanto comercial antes de começar, que dá para pegar umas três filas enormes para comprar pipoca).
O esporte é um bom exemplo de um instrumento que faz o jovem se sentir quem realmente é. Nem mais, nem menos. A ciência, também é.
O que dizer daquelas pessoas de idades diferentes que se apaixonam? Será que o amor tem idade? Será que o prazer tem idade? Que a paixão tem idade? A alegria, o entusiasmo, a força de vontade, a vontade de viver, a coragem, a saudade, a melancolia, a felicidade, a tristeza, as cores, a fórmula da água que bebemos, a fórmula do ar que respiramos, a generosidade, a solidariedade, o carinho, o afeto, o ódio, a afeição, a fé enfim, tudo o que nos move tem idade?
A pele tem idade. Os ossos têm idade. A cor do cabelo tem idade. Os neurônios têm idade. O corpo físico tem idade. E, dependendo, do cuidado que se dá a ele, pode ser que, por baixo de algumas rugas, ou semi - rugas, exista um jovem, ou uma jovem, de muito mais vitalidade(muito mais) do que por baixo de uma pele com pouquíssima experiência de vida, pouquíssimo contato com os raios ultra V do Sol. E não, isso não é um consolo para que as pessoas mais velhas se sintam melhores. Nada a ver. Isso é uma breve reflexão sobre padrões. A sabedoria se consegue com a vivência, seja de dor, seja de alegria. Mas, um bom passo para conseguir não se deixar levar por essa lógica criada que nos cerca, é ser jovem cronologicamente, mas ter opinião própria e enxergar além das aparências desde cedo. Por que se perde um tempo precioso demais ao não se fazer isso, até que um dia se acorda fora da tão falada faixa etária. E os conflitos internos são tão cruéis que fazem muitos achar que tudo “já era”. Que é hora de ficar parado olhando a vida passar. Ou de imitar uma imagem muito forte que circula por aí: a de um animal preso com uma corda pelo pescoço a uma estaca no chão que o mínimo esforço o faria livre mas, por condicionamento, ele perdeu a capacidade de perceber isso.Não se deixe levar por esse pensamento. A vida só acaba quando ela acaba. Quando? Só Deus sabe. Enquanto isso, corra, lute, vença, feche os ouvidos àquelas vozes que querem que você pare. Você está vivo. Não deixe morrer o jovem que há em você. Mesmo que sua pele, no espelho, lhe diga o contrário. A vida é sua. É curta. É dom maior. Não a desperdice acreditando que ela já passou. Ela está aí. Viva!!!

Fer Perl©

O que você lê se transforma em você

O que significa curtir uma postagem? Você não é a mesma pessoa desde que começou a ler isto. Vamos nos modificando. E sermos pessoas melhores depende do que estamos deixando que tenha passagem livre através de nossas janelas.

 Essa frase me ocorreu outro dia. E ela quer dizer muito. “Ler” aqui não significa apenas o ato de pegar um texto e decodificá-lo através da leitura. Trata-se das ideias que você concebe para si, dos aprendizados e experiências.Com o advento do Face, nós nos acostumamos a “curtir” alguma coisa que publicam, mas ainda não temos a chance de “não curtir” da mesma forma o que não gostamos, pois não há a mãozinha sinalizando o polegar para baixo (dizem que já existe por aí). Bem, porém, aquilo que lemos, ou a imagem que vemos antes de clicar em curtir precisa achar consonância, em nós, com o que concordamos sobre determinado assunto. Ou mesmo, com aquilo que achamos engraçado Quando nos identificamos com algum tipo de leitura, filme, ambiente, jeito de ser, etc, isso diz muito sobre a nós. Não é à toa que tendemos a nos aproximar de quem tem gostos parecidos com os nossos.
Parece brincadeira, mas tudo o que aprendemos se transforma em nós. Por isso o título dessa pequena reflexão. Nosso cérebro vai criando novas conexões, à medida do nosso aprendizado e experiências. Por isso, ao meu ver, seja tão importante ler sobre vários assuntos. Mas, procurar uma linha de raciocínio o mais próximo da verdade, da realidade, mais coerente. Algo do tipo “matemático”, onde as premissas precisam dizer muito das conclusões. Como? Procurando conhecer quem escreveu tal livro, disse tal coisa, ou dirigiu tal filme e em que circunstâncias isso aconteceu. Suas convicções, seu ponto de vista sobre assuntos importantes. Todos têm algo bom a ensinar. Mas, o assunto principal em pauta é o que importa na sua escolha. É como uma ideia que se multiplica e que acaba sendo absorvida por muitos sem questionamento. Esse é o perigo de algumas ideologias. Quando entramos em uma discussão com “quem entende do assunto”, é importante tentarmos enxergar os vários pontos de vista entre os especialistas. A partir daí, vamos construindo nossa própria opinião.
Irão surgir dúvidas. Que elas surjam! Pois, é a partir delas que podemos formular uma “certeza”. As certezas não precisam ser fechadas em si mesmas, para não corrermos o risco de nos tornarmos “convictos” em tudo e não darmos espaço para questionamentos, nem ao menos, sabermos defender nossa opinião. Não! Por mais que se tenha certeza de algo, depois de estudar, questionar, tirar dúvidas, é importante saber ouvir. Quem é “convicto” nunca cresce, pois acha que já sabe o suficiente. Nunca se sabe o suficiente. Daí, a Pesquisa estar sempre aberta a novas descobertas, por exemplo. As Teorias, vez ou outra, sofrem modificações. As doutrinas são revisadas. Os alicerces são fortalecidos.
Porém, isso não quer dizer dar bolas para qualquer tipo de fala. Não! Quando perceber que se trata de algo que já está bem acomodado e que aquilo é, na realidade, uma etapa anterior à que você se encontra, não dê atenção. Por exemplo, quando você vê o refrigerante como algo delicioso que parece matar a sede e cai bem em qualquer lanche, você nem ao menos questiona o que está bebendo, apenas vive o momento. Até que um dia, por curiosidade, ou necessidade, você acaba tendo de procurar saber um pouco mais. E fica sabendo dos ingredientes, das consequências do excesso de uso, etc. Você passa a enxergar o refrigerante com outros olhos e, muitas vezes, até decide não beber mais. Se alguém chega para você e argumenta que não há outra bebida mais deliciosa para se ter em um lanche com os amigos e se a pessoa não tem a menor noção de que é feito um refrigerante, você pode descartar tal argumentação feita pela pessoa, pois já haverá passado por ela e se aprofundado um pouco mais.
Claro, se a pessoa quiser saber, você pode orientá-la, senão, deixe quieto. Que ela aprenda por si mesma. Mas, com certeza, você terá deixado uma pulga atrás de sua orelha.É assim em vários assuntos, em tudo. Não basta saber por saber, crer por crer, gostar por gostar, é preciso ter argumentos, mesmo que sejam para si próprio. Daí, você não ficará tremendo à menor ventania. É preciso estudar, ler, ouvir, ver outros pontos de vista. Isso é crescer intelectualmente, também.
Aquilo que vai se transformando em nós, também vai definindo nossos pontos de vista, nossas escolhas. Não aceite apenas algo pronto. Tente entender como tal coisa foi feita. Dá um pouco de trabalho sim. Mas, depois que se começa a refletir, passa-se a exercer cidadania, a perceber que por mais que pareça pouco, o que você fizer pelo bem precisa ser feito mesmo assim. Há toda uma indústria de marketing que tenta dizer o contrário e convence pela borda.Mas, no que depender de você: procure boas leituras, faça boas escolhas. Elas serão você. Isso é ser livre. Ah, e quando descobrir que está errado sobre algo, tenha a humildade de reconhecer. Os verdadeiros sábios são simples.
Fer Perl©

Aquele tal espelho interior

A liberdade de ser o que se é não significa poder ultrapassar as bordas que a/o separa de alguém. A menos que se receba um ticket de passagem livre para isso.


A imagem que nós temos dos outros, das coisas, do mundo depende da imagem que nós temos de nós mesmos junto dos outros, com as coisas, no mundo. Dizer que se conhece bem alguém é o mesmo que dizer que se conviveu muito com a pessoa ao ponto de entender suas respostas e reações. Conhecer bem uma coisa é saber do seu significado, para que serve, como preservá-la ou até da sua duração. Conhecer bem um lugar é saber das suas esquinas, curvas, encruzilhadas e desvios.
Mas, nem tudo é o que aparenta ser. Ainda mais nos tempos atuais, onde a tecnologia, a ilusão de ótica, as mensagens "subliminares" e o brincar com os sentidos tornou-se algo meio sem limites.
É difícil reconhecer o real. É muito complicado transcender a máscara e chegar à imagem pura, quando há programas como o Photoshop.
O que chega aos nossos órgãos sensitivos segue regras. Por exemplo, uma imagem passa pelos olhos e é invertida lá dentro até se transformar em impulsos nervosos que são decodificados pelo cérebro. Ou seja, nossos olhos são janelas. Entender o que se vê vai depender do nosso repertório, dos nossos conceitos e, por que não, dos nossos valores pessoais. Nossa consciência é, digamos, nosso espelho interior.
Quando se trata de uma pessoa, tudo fica mais complexo. A imagem que vamos formando dela depende não só do seu exterior, mas, muito mais daquilo que a preenche e que se vai deixando perceber por nós. É o convívio. São as reações a diversas situações. É o jeito de encarar os fatos. É o que ela faz por trás dos outros. É a sinceridade ou não. Além de tudo, é a história que carrega e que a faz ser quem é.
Todos nós somos assim. E somos analisados por aqueles que acabamos de conhecer, também.
Com o tempo e, como já falado, com o convívio, vamos relaxando mais a nossa guarda. E deixamos que a pessoa tenha mais acesso aos nossos segredos. Um processo rápido para os que não têm ainda muita maturidade. Mas, bem demorado para os que já a possuem.
Não é à toa que ouvimos tanto a frase "conheço muita gente, mas conto nos dedos os amigos".
A intimidade, após conquistada, exige de nós algumas posturas: discrição, confiança, sinceridade mesmo que doa, verdade, coragem, silêncio, respeito e comprometimento. São coisas bem importantes. Muitos não conseguem ter.
Pedir permissão parece que se tornou algum tipo de "pecado". Não. Pedir permissão é uma atitude de honestidade, autocontrole, consciência de quem se é e, no mínimo, educação. Existe sim uma área individual inviolável. E quando alguém permite que a adentremos, essa pessoa está nos dando a oportunidade de conhecê-la melhor e não nos dando o direito de adquirir o que ali está para fazermos o que quisermos com aquilo.
Confiança é base para qualquer tipo de relacionamento. E, após perdida, é bem difícil de se recuperar em sua totalidade. É um trabalho árduo para recuperá-la.
Os relacionamentos importantes, mesmo os concebidos virtualmente, não superficiais, exigem que se percebam os limites de cada um. Exigem autenticidade e autocontrole. Exigem liberdade verdadeira e cometimento. Só assim é possível que durem mais que algumas curtidas e comentários.
Não, talvez, não seja possível se conhecer alguém completamente. Conhecer a si mesmo já é um desafio em tanto. Mas, o pouco que conseguimos absorver de alguém já nos faz perceber se existe empatia e se vale a pena investir na relação, seja amorosa, seja de amizade mesma.
É importante, também, se ter em mente que não é por que alguém nos decepcionou que todas as pessoas do mundo o farão. Cada um tem seus próprios limites e carrega suas próprias histórias, tanto de sucesso quanto de frustração.
Ter paciência, muitas vezes, promove uma história de amor ou de amizade que, independente do tempo que durar, vai ficar para sempre registrado como uma imagem positiva e boa de lembrar.
Fer Perl©

10.06.2015

Você mora

Você mora
No meu silêncio duradouro
No meu olhar distante
No meu sorriso inesperado
Na minha lembrança
Nos meus sonhos de menina moça
Na beleza do pôr do sol
Você mora na vontade de ver você
De abraçar o abraço certo
De dizer a palavra certa
De chorar a lágrima sincera
De sorrir o sorriso que brilha
E o olhar que espera
O carinho guardado
Sentimento puro
Independente e só
Onde os significados se tornam pessoas
Muito poucas
E não podemos mudar sua condição de ser
Você mora.

Fer Perl©

7.29.2015

Aprendendo

Se o tempo parasse
E percebêssemos que o amar
Nada mais é que enxergar o outro
Em sua plenitude infinita
Que se encontra com a nossa
E que nos faz seres humanos
Com bordas físicas reais
Mas, bordas invisíveis
Incontestavelmente delicadas
Perceptíveis apenas àqueles
Que convivem com o tempo
E conseguem parar para
Aprender o outro
Alguns conseguem
Fer Perl©

6.03.2015

Ruga na alma/ Wrinkle in the soul

Há tanta ruga na alma
Que deixa bonita a alma
E faz o sorriso e a lágrima
Mais verdadeiros de ser.

Fer Perl ©


There is a wrinkle in the soul
And it makes a beautiful  soul 
And it makes the smile and the tear
More true of being.


Fer Perl ©

5.29.2015

Chronos vs Kairos

Duas expressões de origem grega.
Resumidamente (é como se): nosso corpo é chronos, nossa alma é kairos.

Fer Perl ©



Two words of Greek origin.
Briefly (as if it was): Our body is chronos, our soul is kairos.


Fer Perl ©

5.16.2015

Simple vs Complex

O simples me comove, o complexo me fascina.

Fer Perl ©



The simple moves me, the complex fascinates me.

Fer Perl ©

7.18.2014

Não tenha medo

Não tenha medo de amar o amigo
Não tenha medo de amar o irmão
Não tenha medo da liberdade de ser humano
E poder enxergar nos olhos aqueles que são tão frágeis quanto você
Por serem humanos também
Não tenha medo de "desperdiçar" seu tempo em prol de uma palavra amiga
Não tenha medo do que isso poderá lhe causar
Constrangimento, mal entendimento, falta de compreensão
A sinceridade do seu ato justificará você
E o tornará capaz de revirar entulhos altos
Em prol de um canto de luz
Dentro de si e dentro de alguém
Ame o amigo
Ame o irmão
Ame quem puder amar
Não se perde nada bom quando se faz isso.
Fer Perl

9.27.2013

Um senhor e seus amigos

Eu os vejo sempre na mesma pracinha, sua morada. Um senhor, cabelos grisalhos e dois cachorros "vira-latas". O carinho entre eles é nítido e fico pensando como o senhor se comunica com eles, a não ser pelo amor. Da última vez, meu coração ficou apertado com a cena que vi. Um dos cachorros, o pretinho, machucou a pata, provavelmente em algum atropelamento. Estava mancando. O senhor o incentivava a andar e o cachorro, para agradar ao amigo, esforçava-se ao máximo, mancando e andando. Deram a volta na praça. Então, o senhor se sentou e fixou o olhar no cachorrinho que se deitou e recostou a cabeça sobre as patas dianteiras. Ambos estavam tristes. Imaginei o que se passaria naqueles corações. O outro cachorro estava farejando alguma comida pelo chão da praça. De repente, quando voltei a olhar para o senhor, ele estava a conversar com o cachorro machucado. Ele falava como quem falava com uma criança, apontando o dedo, dando uma lição. O cachorro, cabisbaixo, ficava olhando para o senhor pelo canto do olho. Como me comoveu aquilo. Não pude ajudá-lo. Mas, imagino a dor daquele velho homem ainda jovem ao ver seu melhor amigo sofrendo e não poder fazer nada. Não sei se é pecado, mas fiz uma oração pelo cachorro. Pedi a Deus que o curasse daquele machucado. Para que aquele senhor não ficasse mais só do que já é. Sei que Deus me ouviu. Que todos possamos perceber a vida nos recantos por onde passamos. Pois, a vida mesma passa rápido demais e percebê-la nesses "recantos" é como acrescentar mais tempo a ela.

Fernanda P. (Fer Perl)